Quando falamos em Leminski, nos vem a mente o escritor Paulo Leminski. Mas se você não é o Paulo, como se cria uma identidade própria com um sobrenome tão forte? Estrela Ruiz Leminski é musicista, compositora, produtora e poeta, e conta que as comparações com os pais – Paulo Leminski e Alice Ruiz - hoje já estão bem atenuadas. Como Estrela começou a escrever muito cedo, desde os seis anos, foi bem na fase da infância/adolescência que as comparações foram mais fortes: “Já era uma fase complicada da vida, e aquilo acumulou com tudo”. Mas hoje, Estrela diz que aceita com naturalidade essas comparações, tanto as positivas quanto as negativas, e parou de prestar atenção nelas.
Existe mesmo toda essa influência dos pais em seu trabalho? Estrela conta que não tem distanciamento suficiente para analisar isso. Já lhe falaram que na poesia parece mais com minha mãe, e na prosa, com meu pai. E aponta outras artistas que igualmente influenciaram o seu trabalho: Mia Couto e Clarice Lispector.
Mas é claro que a família teve muita importância em sua formação voltada para as artes, afinal “não é fácil encontrar uma família que dê suporte para o desenvolvimento artístico”. Estrela conta que é uma grande fã da obra de seus pais, e que teria influência dos dois em seu trabalho, ainda que não fosse filha deles.
Na família houve todo esse suporte, mas no meio artístico existe alguma diferença no tratamento entre homens e mulheres? “Tem diferença principalmente na arte de entretenimento, ainda há muito machismo, aquela visão dos menininhos bonitinhos da banda. Mas na arte de vanguarda a gente já vê muitas mudanças. Antigamente a mulher tinha aquele estigma de trabalhar com temas românticos, de ser fútil, mas hoje você vê muita mulher no rock, mulher trabalhando com poesia intrínseca...”.
Estrela diz que já foi super feminista, mas que hoje parou de fazer discurso e decidiu dar exemplo. Quis aprender a tocar bateria – um instrumento comumente masculino – e hoje vê que isso acaba até sendo um exemplo para algumas de suas alunas. Afinal, ela dá aulas de música para crianças, e vê que muitas meninas acabam se espelhando nela e vendo que não precisam ficar limitadas quanto ao instrumento que querem tocar.
Agora, Estrela está ainda mais próxima de crianças. Recentemente, teve seu primeiro filho, por isso tem saído menos de casa, mas aponta alguns lugares que gosta de frequentar: o samba com o Serenô na Treze de Maio; o Café Mafalda para comer; e o Projeto Vacationes no La Lupe para dançar. Mesmo ficando mais tempo em casa, 2009 será um ano cheio de lançamentos para ela: além de um CD do Música de Ruiz (em que faz dupla com o marido Téo Ruiz), até o fim do ano também deve sair um novo livro de poesias, Poesia é não.
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