quarta-feira, fevereiro 28, 2007
muié...
Li um texto na revista idéias sobre as mulheres na literatura curitibana. Eu realmente espero que o autor (Jorge Barbosa Filho) não tenha lido duas autoras e tirado todas as suas conclusões rançosas que cheiram a pé na bunda recente. E também espero que uma dessas autoras não tenha sido eu. Na verdade o texto cheira a "machista tradicional, que vai no bar do stuart e toma cafezinho na boca maldita", ou seja, um curitibano folclórico, no mínimo:
"Por que não dançam sozinhas e enlouquecidas como Go Go Girls em cima das mesas sos bares espalhando seu veneno e graça? (...) Mas ao invés disto, parte delas, aprecem ter saído do salão de beleza com seus penteados bizantinos ou com os cosméticos recatados da falsa erudição."
Ai,ai ai... Isso até me lembro ou filme do Borat (genial por sinal) perguntando pra feministas:
"Você realmente acham que as mulheres deviam ser educadas? "
Ou será que esse cara acha que ou a mulher é bonita ou ela é inteligente?
Ou ele está andando com gente muito esquisita, que eu não conheço e nem quero conhecer. Eu conheço sim: Luci Colin, Assionara, Josely Batista, Marília Kubota, Greta Benitez, Alice Ruiz... E NENHUMA delas se encaixa nesse grande hall em que esse menino colocou todas as escritoras curitibanas...
Em homenagem a desinformação propagada, marcada cada vez mais sobre a pseudo-informação. Pro cara se informar de verdade: um site de Mulheres na literatura.
e também uma poeta portuguesa:
Ana Hatherly:
A matéria das palavras
Estamos aqui. Interrogamos símbolos persistentes.
É a hora do infinito desacerto-acerto.
O vulto da nossa singularidade viaja por palavras
matéria insensível de um poder esquivo.
Confissões discordantes pavimentam a nossa hesitação.
Há uma embriaguês de luto em nossos actos-chaves.
Aspiramos à alta liberdade
um bem sempre suspenso que nos crucifica.
Cheios de ávidas esperanças sobrevoamos
e depois mergulhamos nessa outra esfera imaginária.
Com arriscada atenção aspiramos à ditosa notícia de uma
perfeição
especialista em fracassos.
Estrangeiros sempre
agudamente colhemos os frutos discordantes.
mais em:
http://www.lumiarte.com/luardeoutono/anahatherly.html
(poesia)
http://po-ex.net/galeria/displayimage.php?album=39&pos=0
(imagem)
Assinar:
Postar comentários (Atom)
16 comentários:
Não é do nada que faço questão da minha monografia ter a temática da mulher e provar por A mais B que a gente não precisa é provar nada - já somos o sumo do gosto destes machistas, isso basta!
É isso aí, e tem gente que acha que sabe falar de gente, mas nada nada compreende.
Beijos e passa lá no meu blog depois.
A Ana Hatherly é uma das melhores surpresas que tive no ano passado, quando a conheci. Beijos!
eu só não gostei do filme do Borat. mas de resto concordo tanto que não tem nem muito pra comentar.
Permitam minha humilde opinião. Lamento por Jorge Barbosa e lamento por divisão tão idiota: escritores e escritoras. Para mim é incoscebível, enquanto artista, ficar separando as coisas. Expressar-se artisticamente, segundo Aristóteles, é um impulso naturalmente humano. Entendam: não só do homem e não só da mulher, mas do gênero humano. É a forma que a natureza encontrou para completar aquilo que está incompleto. "Carpinteiro do universo inteiro" nós somos. Imagino que Curitiba tem problemas um pouco mais graves que este no campo artístico. Artista não falta. Falta público. Falta interesse da população e os motivos pela falta de interesse são inúmeros. Importante é localizar alguns destes problemas e agir neles. Lamento pelo universo machista no qual estamos inseridos. Lamentaria também se fosse universo puramente feminista. De qualquer forma, adoro a obra da Alice Ruiz e gosto muito do seu trabalho também. Não parem nunca! Não conhecia Ana Hatherly. Gostei também. Boa dica.
Obrigado,
Chico Ervas Finas
Fiquei curiosa a respeito desta matéria na Revista Idéias. Em que edição está publicada? Um abraço
NELSON ACIMA DAS SIGLAS>>>>
numero 59 capa azul
acho que é a última...
Estrelíssima:
Pelo jeito temos um novo Punhetoff na praça. Ele deve ter lido acrósticos de namoradinhas ou sonetos de madames. Deixa ele penteando macacos. Amanhã é Dia Internacional da Mulher é não é um
xaropão desses que vai atrapalhar a vida de vocês. Vou pegar o Márcio Renato na saída da Idéias!
Solda — Prof. Thimpor
Quem é o rapaz, afinal? Mais um polemista fake, à la Paulo Polzonoff, achando que para ser pavão basta enfiar um espanador no traseiro? Caso ele leia esse comentário, vai uma poeminha do Millôr Fernandes: "menino, estude depressa/ que burro aos trinta/ é burro à beça". Literatura feminina? Ora faça-me o favor...
Lamento ser mal entendido. o que quis, afinal foi ressaltar a falta de ousadia da poesia feminina e das mulheres em Curitiba. No Rio de Janeiro e em São Paulo, as mulheres têm uma postura diferente quando estas sobem a mesa e sem nenhuma mazela declamam seus poemas com muito charme e femenilidadade. Aqui, novamente lamento, elas estão saido da da gaveta. Vejam POEMASHOW, VERSOS da Madrugada, Espaço Digital, CEP 20.000. Leblon Lounge, Cotton Club, etc.
Lamento este tipo de interpretação mas tudo isto é feito em prol da nossa poesia curitibana. Estrelinha, adoro a tua música e a do Theo. Beijo na cria . Jorge Barbosa Filho.
Putz: vou ter que deixar o meu pitaco -
discordo frontalmente do Jorge em praticamente tudo que ele diz e faz -
e apesar disso tenho que exercitar minha tolerância e complacência toda vez que encontro este indivíduo nalgum boteco -
aliás, fui eu que alertei o pobre Jorge da polêmica surgida com mais um dos artigos mal-escritos que ele prima por nos brindar (e usando um espaço que não podia estar dando sopa prum carioca do ¨&*&%$ - numa revista que só lê quem ainda tolera nosso excelso governador...)
enfim: as poetas curitibanas dão baile em quem vier: não precisam apelar para sua FEMINILIDADE (atenção para a ortografia, Jorge: sem revisor a gente percebe suas deficiências técnicas, malandro!) -
elas todas já transpiram muito seus encantos e transformam Curitiba numa cidade ainda mais bela (se você tem dinheiro no bolso, né, Mané...)...
Bom: acho que foi o suficiente: viva a Estrela que diagnosticou as condições pénabundísticas de nosso chapa carioca...
Subir na mesa? É mesmo? Talvez puxar o "r" e o "s"? Curitiba vai ter mar. Cuidado, Jorge, para não se afogar.
Essa é boa...e quanto ao "sair da gaveta", não tem uma expressãozinha melhor não?
Tsc, tsc, tsc. Que comparação idiota.
Somos curitibanas, das claras. Que as cariocas continuem na sua gema.
Tem omelete pra todo mundo.
hehe
- que engraçado!
=]
bjos, Estrelinha!
Nara
Daê, George! Obrigada por suscitar alguma polêmica na cidade mais culturalmente desanimada da galáxia (não q seja uma graaande polêmica, afinal... quem lê este blog?)...
Evidente q fica claro q, infelizmente, algumas mulheres ainda permanecem analfabetas funcionais nessa cidadezinha nojenta... Afinal, todos sabem q o sr. Jorge Barbosa é grande admirador da poesia da Luci Colin (e entre as maiores analfabetas está o sr. Ivan).
Mas enfim... Foram eles (o Ivan e outros) q disseram q o Drummond era um retardado...
Leiam de novo... E de novo e de novo. Até q seja preciso engolir...
Sinceramente,
Desculpa... Esse feminismo "eu-queimo-o-sutiã" me embrulha o estômago...
"Machismo"...okay. Mas ao invés de discutir isso ou aprofundar os argumentos em prol de sua interpretação, a autora deste preferiu simplesmente descer a lenha no texto - aliás, problema de grande parte da crítica neste país hoje -, e para usar "Zoe de Camaris", ainda parte para clichês baratos, como "rançosa que cheira a pé na bunda". Ora, pelo trecho isolado que você pega para definir o artigo, não se enxerga o todo dele. Lendo-o por inteiro, e mesmo considerando o trecho em questão, não há, a meu ver, qualquer sinal de machismo, pelo contrário: existe, sim, um incentivo à poesia FEMININA. E aí entramos em outra questão:
Existe SIM poesia masculina e poesia feminina, ao contrário do que o camarada ali em cima quis sintetizar com "humano". São visões diferentes, graças a deus, já diria (fabulosamente)Virginia Woolf. Vejam que não falo de direitos ou deveres diferentes, mas sim de visões.
"Vou pegar o Márcio Renato na saída da Idéias!"
Bom, aí, lamentavelmente consegue-se enxergar como funciona a "máfia cultural curitibana". Sem mais comentários.
"e usando um espaço que não podia estar dando sopa prum carioca do ¨&*&%$"
esta consideração, no mínimo, pode ser categorizada como bairrista, na falta de palavra melhor ou para evitar usar de definições mais pesadas. Retenho-me, a maneira da autora deste blog, a usar como exemplo o genial filme do Borat. Ao se deparar com ele, críticos americanos ficaram enlouquecidos e bradaram: "Como alguém que é de fora pode vir e criticar nosso país assim?" Ora, e é necessário estar ali dentro? Lamentável o comentário do Ivan, demonstrando que Curitiba "tem de ser fechada a sete chaves e quem tem de ter estas chaves provavelmente sou eu e minha tchurminha".
"numa revista que só lê quem ainda tolera nosso excelso governador...)"
então, Ivan, você enquadra a autora deste blog nisto?
Sem mais,
Filippo
As cartas estão na mesa...
Postar um comentário